sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um pouquinho de felicidade (post 2)

Vamos por partes, assim ninguém se perde.

As brigas.

Realmente, podemos a chamar de galo de briga, ou popó mirim, nunca vi criança mais folgada que essa! Eu realmente nunca vi. Mas, existem duas brigas que fazem marcar a carteirinha da pequena criança, vamos a elas.

Relatos de uma protagonista: Lembro-me como se acontecesse agora. Eu desci as escadas (moro no quarto andar) e assim que desci encontrei o Arthur (vocês vão ouvir bastante desse rapaz) e ele me disse.

- Gabi, ta afim de brigar com o Felipe? Eu, sem hesitar ou perguntar por qual motivo, respondi.

- Mas é claro! Como vamos fazer? Os dois socando ele? Ele é maior que eu! Arthur rio, nós já estávamos andando em direção ao garoto que se encontrava na frente do prédio. Arthur contradisse.

- Não! Você vai primeiro, se você estiver perdendo eu entro na briga. Eu abri um sorriso bem sutil nos lábios, Arthur era e sempre foi o mais forte dos três. Claro, era covardia, mas assim seria.

Quando chegamos lá na frente, Arthur começou a discutir com ele, olhou pra mim e disse.

- Vai?

Eu nem se quer respondi e já voei em cima do garoto. Que briga maravilhosa! Eu acertei dois socos na cara dele, e ele me deu um chute que eu devolvi ai eu ouvi um grito do outro lado.

- Minha vez!

Eu saí de cima do menino e o Arthur já voou em cima dele. Eu sentei em um banco e assisti toda a cena de luta, que acabou quando um outro garoto me deu um chute nas costas quando eu estava sentanda! Como doeu, chorei muito, e só parei porque gritaram.

- Sua avó está vindo!

Eu poderia ser tudo, mas nunca gostei de ser a cuzona que alguém tem que me defender, a não, isso não!

Porque eu sempre dou risada quando ela acaba de escrever? Será que segundos eu’s também tem sentimentos? Vou perguntar isso pra um psiquiatra quando eu precisar de um. Hahaha. (psicólogos... Eu não gosto deles, gosto de gente que trata com doidos)

A segunda briga.

Podemos dizer que ela brava dá medo, muito, muito medo. Ela não mede o que faz só depois que vê o que fez. Bem, o menino dessa vez tinha uns 16 / 18 anos, e eu não sei por que, sei que ela se irritou muito, e chorava enquanto xingava ele. Mas os outros meninos continuavam rindo pelo que ela falou, a pequena se irritou e partiu pra cima do guri que só sabia se defender. Ele lá ia se meter contra uma criança? E depois? Ele só tentou segura-la, mas ela o chutava o batia, tentaram segura-la mas ninguém conseguia, ela se soltava e ia pra cima de novo. Até o morder e deixar uma marca que ninguém imagina. Ai o menino se enfezou e quase deu nela, só que o seguraram. E ai ela parou. Folgada... Não?

O primeiro beijo.


Eu digo que foi marcante, e ninguém acredita! Bem, desculpem o meu entusiasmo. Eu vou relatar como tudo começou. Todas as pessoas estavam incentivando (duas pessoas). Ela estava dentro de uma caixa com o seu melhor amigo, até então. O Arthur. Enquanto duas adolescentes incentivavam o beijo, um olhou para o rosto do outro e se beijaram. Foi o primeiro beijo dos dois. Ela saiu de lá dizendo que ele beijava mal e ela beijava muito. Depois disto, beijou mais 2 garotos do seu prédio. Era engraçado, até porque o Arthur gostava da Karen e esse foi o motivo deles baterem no outro menino, porque ele estava dando em cima da Karen. Porém, o beijo foi da Gabi. Quem ri por último, ri melhor. Não? (claro, eu não incentivei muito a cena, apesar dela gostar muito dela. Imaginem uma criança de três anos beijando uma de sete? Era este o cenário. Não se esqueçam, ela tinha 7 anos, porém aparentava ter menos)

A maior paixão.

O futebol, a maior paixão de todas. A única coisa que ela sempre se orgulhou e sempre foi boa. Bem, desde criança ela jogava com os meninos “grandes”. Doze, treze, catorze anos. Essa média. E a pequena se destacava, e ai de quem se interferisse nisso! Ninguém era capaz de desafiava, porque depois ela dava um jeito de se vingar, e como dava.

O vício.

Quando ficava em casa, matava o tempo jogando vídeo – game. Amava fazer isto quando estava sozinha ou quando seu pai estava em casa, ah era uma diversão só. Suas irmãs não poderiam assistir TV e ninguém ia bater nela se não quisesse desligar o vídeo – game... O pai dela estava lá. Salvou quase todos os jogos do Nintendo. Era uma verdadeira viciada, e até hoje é.

O melhor presente.

Uma bicicleta, quando seu pai a comprou os olhos da menina brilharam, como cachorro que vê o frango rodar na sua frente. Saiu da loja tão feliz, tão feliz. E com sua bicicleta ela poderia ser a melhor na corrida com bicicletas, e poderia sair do prédio e voltar sem ninguém ver. Uma vez ela fez isto, com seus sete anos. Ela e o Arthur, fora na favela que ficava atrás do pré. Naquela tempo foi uma aventura só. Hoje em dia, não é nada demais, mas naquele tempo... Naquele tempo...

O relato da protagonista: Bem, eu vou falar da pior queda que tive de bike. Acho que tinha uns dez anos! Eu havia aprendido descer minha rua sem as mãos (ladeira ok). E lá fui eu, bem consegui desviar do caminhão e o que estava logo atrás do caminhão conversando? O Arthur! Parado com a sua bicicleta, coitado! Ele não tinha culpa, eu desci sem avisar e não o vi. Bati com tudo, foi cena de filme. Não consegui freiar e bati com tudo, eu e minha bicicleta voamos, já que eu parava só o peneu da frente, bati com toda a força a cabeça no chão e fez um corte. Minhas irmãs viram a cena e me levaram pra casa, me jogaram no chuveiro e escorria sangue. Meia hora depois, o Arthur tocou na porta chorando, quando eu abri ri muito dele, e ele ficou sem graça. Ele disse.

- Achei que tinha te matado! Estou tremendo, está vendo?!

Era bom ser criança, era tão bom.

As brincadeiras infantis.

Eu acho que todo o texto se concentra nessa parte. Saindo um pouco do mundo ilusório e voltando a realidade da pequena. Ela saia da sua casa umas dez da manhã e voltava lá para umas onze da noite. Bem, não podíamos contar com a mãe, e as irmãs... Vocês vão entender as irmãs logo, logo. Era na rua que ela se divertia, e era na rua que montava a sua personalidade. Nesse tempo a sua rua era uma biqueira (lugar onde se vende droga), imagine só uma criança... Às vezes ela pensa que poderia ter virado uma drogada e se orgulha muito por nunca ter usado nada, nem se quer um cigarro! De manhã ela era a valentona, menina – moleque que batia em todos que podia, e ai de quem mexesse. A noite ela ficava na área com o pessoal mais velho, ria sem parar. Nós hoje sabemos que eles não gostavam muito, mas depois se acostumaram com a idéia. E apesar de todas as mães na época as odiarem, todas as crianças e adolescente gostavam dela. Quando não estava jogando futebol ou andando de bicicleta... Ou brigando com alguém, ela estava fazendo brincadeiras de crianças. Esconde - esconde, cada macaco no seu galho, pulando muros coisa e tal.Na escola também era assim, do mesmo modo, da mesma alegria. Sempre foi alegre, por mais que não fosse totalmente feliz. E sempre odiou chegar em casa, sempre.

Um pequeno trauma.


Bem, esse trauma é horrível de ser lembrado. Vou a deixar contar.

O relato da protagonista: Eu estava em casa e tinha de ir pra escola, tinha dez anos. Bem, o chuveiro havia queimado, e por mim na época não tinha problema em não tomar banho. Minhas irmãs falaram que eu tinha que tomar, e pra não apanhar o fiz. Elas esquentaram a água e uma delas disse.

- Olhe, ta vendo eu colocando água fria dentro da quente? Faz isso com as demais. Ta bom?

- Ta.

Claro, eu enrolei uns 20 minutos antes de jogar o outro balde em cima de mim, achei que já tinha esfriado... Fui e joguei em cima de mim. Queimou minhas costas, queimadura de 2 grau. Doeu, e como doeu. Ficou uma marca por uns 3 ou 4 meses. Depois saiu. Graças a Deus.

Por conta disto ela tem medo de tudo que é quente. Frigideiras, água quente coisa e tal. Ela não frita nada, morre de medo. E também tem medo da panela de pressão, viu sua irmã explodir uma. Mas não é nada a ser narrado. A não ser que ficou marca no teto. Haha.

Bem, eu dividi o post em dois porque devem ter reparado que ficou enorme. Agradeço por quem está lendo diariamente. Talvez eu volte a postar somente segunda, se ainda tiver internet. Afinal, "sagrado fim de semana" chegou.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Um pouquinho de felicidade (post 1)

A você que chega agora, o aviso que irei dar em todo começo de escrita. Se for ler, leia o desde o primeiro e siga a ordem, segundo, terceiro e assim consecutivamente. Pois se não, irá se perder. Julgamentos aqui não são aceitos. Nós não queremos sua opinião, nem pena, compaixão e muito menos compreensão. Estão aqui por que quiseram, eu optei por escrever minha vida, mas isso não significa que eu tenha menos ou mais problemas que você. Ok? Então, podemos começar.

Eu dou total certeza a vocês, que este será o texto escrito com o maior dos prazeres. Aqui irá narrar à infância de uma criança, que apesar de tudo o que passou, era à criança mais feliz do mundo! Nós duas concordamos nisto, e pena que só reparamos isto agora. Engraçado, os olhos da Gabi enchem d’água só de lembrar como tudo era, saudade, saudade, saudade. Os relatos aqui serão todos da minha vaga memória. E elas começam quando ela tinha quatro anos. Eu posso adiantar os anos e voltar para trás, mas irei avisar a todos. Assim, ninguém fica perdido.

A única lembrança de seus quatros anos. Bom, eu não tenho certeza se foi com quatro ou seis. Mas é 90% de que foi com quatro. A primeira vez que o skate estaria na vida da criança.

Sua irmã como de costume foi até o pré buscá-la, havia ido com um amigo dela. Era um skatista. (quando chegarmos às duas irmãs vão entender tudo perfeitamente). E a pequena criança adorava quando ele ia. Havia uma subida para voltar para casa, a subida do pré, e ele a levava de cavalinho, quando chegava à rua “reta”, ele a segurava pela mão e a puxava. Vocês podem imaginar comigo a felicidade que a pequena ficava? Ela simplesmente se esquecia que como de costume sua irmã foi lhe buscar atrasada (de meia hora à uma hora, ela atrasava), e se esquecia que sua irmã ia perturbar ela mais tarde por qualquer bobagem. Esquecia de tudo, e era só criança rindo por estar em cima de um skate.

Bem, os dias eram assim, e ela não lembra muito desse tempo. A não ser claro, quando tinha seis anos no pré, e destacava entre as crianças porque não tinha medo do que as outras meninas tinham. Como baratas ou outros insetos, e sempre entrava na briga com meninos, e naquele tempo ela nunca apanhou de um garoto sequer.

Um pequeno relato da protagonista: Bem, nunca vou esquecer esse dia. Tinha uma menina que agora não me recordo o nome. Nossa, ela era o dobro de mim e nós tínhamos a mesma idade, ser pequena é fogo! E ai ela apostou comigo, que balançasse mais alto na balança ganhava (e eu não lembro qual era o prêmio, sei que ela não me deu). Bem, fui lá. Fui tão alto que até a professora ficou com medo deu cair. Pois bem, ela tinha que me passar. Não segurou direito, queria impressionar... Caiu de cara no chão. Bem, eu não lembro o que tinha que ganhar. Mas naquele dia eu ganhei “fama” e muitas risadas.

Ela fala com tanto entusiasmo que chega ser até engraçado, vocês não acham? Eu acho. Haha.

Vou resumir agora os dias de Gabriela, talvez ela passe por mais um dos relatos dela, ela gosta de falar deles. Bem, vamos lá.

Antes disto, uma última coisa que tenho que colocar em pauta. Quando ela tinha seis anos, tenho uma vaga lembrança de umas das amigas dela falando.

A amiga: E ai Gabi, está com quantos anos?

A menina fez uma breve pausa e já ia continuar dizendo... Doi...E então ela respondeu.

Gabi: Seis. Deixou um pequeno sorriso vir à face.

A cara de espanto da garota foi ótima, e todos os outros ao redor riram. Ela havia saído por uns tempos do prédio 67 e voltado a pouco, por isso se assustou tanto. Para reparem que a face de criança dela, vem realmente desde criança.

Bem, vamos ao sete anos de vez. A melhor fase, e as melhores lembranças da infância dela. Ou vocês esperaram ler só desgraça? Bem, era a pequena menina mais menino que existia (até hoje é assim). Era muito mais convencida que hoje em dia, mas não era convencida por sua beleza. Era convencida pelo que fazia. (Apesar de nunca se achar bonita, ela também nunca se achou feia. Se achou na média, e sempre teve todo e qualquer homem que desejou... Poderosa! Haha!)

Eu vou dividir em dois posts pessoal, ficou muito grande, então amanhã se eu ainda tiver internet posto o resto da vida de criança. x3

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A vida da mãe

Peço desculpa aos dias que estive afastada. Aquela famosa preguiça veio tomar conta de mim esses dias. E com um pesar que digo a vocês que ficarei mais um tempo sem postar. Gabi estará sem internet por tempo indeterminado. Mas vou tentar manter isto atualizado, não diariamente, mas, atualizado. E claro. A você que chega agora, o aviso que irei dar em todo começo de escrita. Se for ler, leia o desde o primeiro e siga a ordem, segundo, terceiro e assim consecutivamente. Pois se não, irá se perder. Julgamentos aqui não são aceitos. Nós não queremos sua opinião, nem pena, compaixão e muito menos compreensão. Estão aqui por que quiseram, eu optei por escrever minha vida, mas isso não significa que eu tenha menos ou mais problemas que você. Ok? Então, podemos começar.

É hora de falar da mamãe.


Eu sei, eu não deveria usar certo tom de ironia, pois assim eu deixo transparecer que também não sou tão chegada na mãe da Gabi. Mas... Algo me diz que isso me alivia mais do que o necessário.

Bem, como sempre eu tenho alguns relatos. Relatos do passado dela, e antes de chegar ao futuro eu vou fazer por partes.

Antes do casamento.


Relato de um pai: Sua mãe era legal. Além de bonita, claro. Não chega nem perto da mulher que é hoje. Ela era calma e gentil, me fazia muito feliz. Mas sempre foi apressada e nunca pensou em nada. Sempre fez as coisas no desespero. Assim foi o nosso casamento.

Relatos de uma tia: Sua mãe? Sempre foi a mais bem tratada. Lá onde a gente morava, ela era bem tratada porque era loira do olho azul, nós éramos os “bastardos”... Afinal, éramos morenos dos olhos escuros. Isso só por causa da cor do cabelo e dos olhos, por isso ela nunca gostou de um não. Sempre foi tratada a base do sim.

O casamento.

Relatos de um pai: Ela me veio com essa idéia. Sabe quando a mulher fica muito insistindo num assunto? E eu amava a sua mãe (nós achamos, o eu interior e o eu exterior da Gabi... Que ele ainda a ama, apesar de tudo). E ai eu casei. Larguei a minha faculdade de publicidade e propaganda e casei. O pai dela não se dava bem com ela por causa de mim, e eu me senti responsável, era tudo uma maravilha, e pra mim essa maravilha foi só acabar uns dois ou três anos depois que você nasceu. Foi quando me contaram, e eu não sabia se eu era um idiota ou... (Uma breve pausa)... Ou um grande idiota. (Bem, ele iria dizer “ou apaixonado demais”... Mas ele não é do tipo de homem que gosta de mostrar seus sentimentos)

Relatos de uma tia: Quando sua irmã nasceu eu não vi (estamos falando da primeira irmã), mas eu ia à sua casa todo o dia. No começo, ela tratava a filha como única e preciosa, com o tempo, parece que foi desgostando de tudo, saia a noite para ir a festas e quem ficava com ela era eu. Mas, era uma boa mãe no começo. Era sim. Quando sua outra irmã nasceu (a filha do meio), voltou com aquele sentimento materno de sempre, mas logo se foi. As meninas cresceram e a única pessoa que ela ouvia era o um tio nosso (desculpe pessoal, eu não me recordo o nome dele)... E acho que por isso ela dava bastante carinho a elas. Mas isso foi passando com o tempo.

Relatos de um pai: Um pouco depois da morte da pamela (ela era a terceira filha, Gabi seria a quarta. Mas o destino não quis isto). O seu tio veio a falecer. E ai sua mãe surtou de vez. As crises de ciúmes aumentaram, e ela falava sozinha, dizia que o tio dela viria de manhã buscá-la. Eu achei que ela tinha pirado... Até levarmos ela no psicólogo e ele dizer que não era nada demais, apesar deu achar que ele estava errado. (Bem, ele nunca concorda com médicos.)

Relatos de uma tia: O psicólogo disse que ela só gostava de fazer drama, e era assim que ela consegue tudo o que quer. (E como consegue!)

Os anos seguintes.

Relatos de uma tia: Sua mãe foi piorando a cada ano depois das perdas. Teve um dia que entrei na sua casa, e a Alexandra estava no canto, e ela disse que a mãe dela havia posto lá, porque ela não lavou a panela ou algo do tipo. E estava bem vermelha das marcas de tapas. Fiquei muito brava, e quebrei a cara da sua mãe naquele dia. E foi assim até você nascer.

Relatos de suas irmãs: Você teve é sorte de não crescer com a mãe. Apesar de tudo. Se você acha que sofreu quando criança, imagine a gente. Pelo menos, ela nunca te bateu.

Eu já dei o relato do meu nascimento, então o post termina por aqui hoje. Desculpe o texto grande, e o tempo que demorei a fazê-lo. Pois bem, espero que tenham tido uma boa leitura.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

As extensas Viagens

Hoje eu tenho mais tempo para escrever. Bem, podemos prosseguir de onde paramos, acho que hoje eu não tenho muitos avisos. A não ser claro, que se você chegou hoje neste blog, eu peço para que leia o primeiro post, o segundo e claro este. Assim você não se perde. E também peço para que não julgue ninguém, ninguém mesmo.

As extensas viagens. Vamos falar da vida do pai da Gabi. Ele é um pesquisador (e hoje em dia ele poderia ser dono de um instituto de pesquisa, damos graças à mãe dela por isto não ter acontecido. Mas logo entraremos neste assunto). Naquele tempo havias poucos pesquisadores, e por isso eles teriam que fazer pesquisas em outros estados. Duravam meses. Insuportáveis meses. Por isso e pequena sempre se via sozinha, sempre com a sua mãe e suas duas irmãs. Era difícil pra ela, muitas vezes chorava sem parar. E como chorava. Não tenho relatos de ninguém desta época a não ser minhas memórias, então vou contar algumas passagens da vida dela, um pouco mais crescida. Sobre o motivo do pai não saber dos “bons cuidados”. Este era o motivo do pai não saber de nada. Telefones só tinham quando ele ligava, e a mãe, provavelmente falava para as irmãs delas não contarem nada ao pai se não as batia e não deixava sair de casa. Essas coisas que mães falam pros filhos ficarem com medo e não contarem nada. Bem, eu acho que pularia algo se falasse das minhas memórias agora. Vou terminar o capítulo anterior, ou “fechar os seus mistérios.”

Eu não me lembro quem relatou isto.
“Eu sei que teve uma briga por dias entre mãe e pai quando ele ficou sabendo o que se passara. Por fim, o pai cedeu e deixou isto para lá.”

Vamos falar um pouco sobre o homem o qual ela chama de Pai.

Ele é um bom homem. Esforça-se para manter a família sempre em pé e nunca passarem fome. Deixa de comer, ou fazer qualquer coisa para a filha sair mais bonita de casa. Sempre que pode ajuda, e se não pode ajudar ele tenta. É calmo e atencioso, agüentou tanta coisa que até hoje eu não sei como ele ainda não explodiu. Ele sempre mimava a filha, e Gabriela tinha muito orgulho de sair ao lado dele quando era criança. Sua cara é de mais jovem. Uns cino ou seis anos aparentemente mais novo. Infelizmente para ela, ele também envelhece e fica chato como os outros pais. Mas ele estava tentando colocar ordens nela, e ela odeia isto. Nunca teve uma regra sequer. Exatamente pelo fato dele nunca estar presente, e agora que está, tenta tratá-la como criança. Mas é bom, ele já está pensando novamente como antes, ou pelo menos se acostumando com a idéia. É um homem que ela pode brigar todas às vezes possíveis, mas ela o ama como nunca amou ninguém na vida. Por mais que nunca tenha dito isto ele, Gabi morre de vontade, mas ela tem medo... Não posso dizer qual é o medo, é receio. Mas ela o ama como um pai e uma mãe, ele foi tudo isto para ela nestes anos. É um bom homem, apesar dela achar que não, muitas vezes. [i]Ele é o nosso herói.[/i]

Vão entender que este dito não é só uma fantasia de criança, ou até mesmo de adultos. Ele sempre a “salvou” de tudo na vida. [i]De todos os monstros[/i]

Monstros reais.

Vamos enfim as minhas pequenas memórias, quando ela sentia a enorme falta dele. E depois a um relato do pai, falando o porque não conseguir ter um instituto de pesquisa só seu.
Memórias da personagem principal: Ela sempre chorava a noite quando pensava no pai, não gostava de lembrar que ele estava longe. Vivia com medo de apanhar das irmãs por qualquer coisa, ele sempre a salvava delas, mas quando estava longe uma bronca por telefone nunca era o suficiente. Um dos dias que não consigo me esquecer, era quando uma das meninas veio toda contente falando que havia passado o dia todo com o seu pai havia meses que Gabi não via o seu pai. .Ela deixou as outras crianças lá e se encostou na janela da área do seu prédio. Umas delas percebeu a tristeza nos olhos dela, e então perguntou.
- A quanto tempo não vê ele, Gabi?
- Seis meses.

Ela foi abraçada, porque as lágrimas começaram a cair, e elas não queriam parar. A pequena criança de sete anos, era assim toda a vez que lembrava do seu pai. E pra falar a verdade, os olhos dela encheram d’água agora por lembrar disto, e ficou feliz por vê-lo todo o dia e tê-lo todo o dia “enchendo o saco.”

Bem, acho que ficou bastante grande, mas vamos concluir com o relato do pai sobre o instituto

Relatos de um pai: Eu tinha apoio da Marplan. (Na época, era a empresa concorrente com a Ibope. As duas maiores do país) Eu fiz toda a papelada, consegui tudo e abri o instituto aqui na garagem de casa mesmo, fui começando e depois de uns 2 meses eu iria alugar um escritório. Sua mãe ficou falando um monte, por duas semanas. Falou que não ia dar certo, falou que eu era um burro, e tudo mais que ela costuma falar. Teve um dia que ela disse “está deixando de colocar comida em casa pra fazer isso.” Era mentira, eu sei. Mas só o fato de imaginar isto me incomodava. E ela insistiu nisto, até que desisti.

Ele não sabia que ela faria ele desistir de muitas outras coisas com o longo do tempo. E eu garanto a vocês, que quando a mãe dela começar a pegar no pé para encher o saco... Ela não para até conseguir.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A primeira tentativa de assassinato

Bem, antes de começar o título eu vou fazer um pequeno índice para o primeiro capítulo. Isto me ajuda quando for escrever depois e também ajudam a vocês quando forem ler. Acompanhar cada caso. Afinal, isto aqui será como um livro, o livro para a menina branca como a neve de cabelos castanhos médios. Eu estou com um pouquinho de pressa hoje, mas vou escrever tudo detalhadamente. A menina tem algumas tarefas a serem feitas e isso a incomoda e me incomoda também. Afinal, eu gosto de conversar com alguém, por mais que não esteja conversando com ninguém. Conversar somente com ela enjoa. Eu espero que vocês não tenham se esquecido que, quem escreve aqui é o segundo eu e não o eu conhecido. Bem, chega de papo, vamos ao índice.

Título: A pequena criança
Subtítulos:
A primeira tentativa de assassinato
As extensas viagens
A Vida da mãe.
Um pouquinho de felicidade
Um ringue se posta na casa da criança
As aventuras com a sua segunda mãe
As irmãs.

Acho que é só. Eu não vou pular nenhum, mas talvez me lembre de mais alguma coisa e poste, eu irei avisar vocês, mas não fiquem chateados, por favor. Eu sou uma memória bem esquecida.

E aqui se inicia o texto de hoje.

Como havia dito no texto anterior, nada de bom cuidado ou bons tratos. Talvez, as irmãs dela cuidassem bem, e talvez a mãe assim fizesse. Afinal, o pai da pequena estava para voltar de uma viagem, de nada ele sabia. Não sabia que sua filha havia sido levada, não sabia, não sabia de nada. Pobre homem.
Essas coisas eu nunca consigo lembrar, e isso me chateia. Porque não é possível lembrar coisas de bebes? Bem, vamos a mais um relato.

Relato de Ana Carolina. A irmã do meio: Eu um dia cheguei em casa, e a mãe estava na cozinha com um fósforo, ela gritava como sempre. Tinha alguns papeis no chão e quando cheguei lá ela está pondo fogo neles, o gás estava próximo. Não sabia o que tinha que fazer, se deveria tirá-la de lá e apagar o fogo, se tinha que chamar a Alexandra e mandar ela te levar pra fora. Eu sabia que tudo o que fizesse me faria levar uma surra depois. Não importa. Então gritei
- Mãe, o que está fazendo?
Ela havia se assustado com a minha presença e disse para eu sair de lá. E eu disse que não iria e que a Gabriela durmia no berço. E ela então me respondeu.
- Vai dormir eternamente.
Não entendi, mas ela voltou a acender outro fósforo, eu tirei os papéis do chão e gritei a Alexandra, ela entrou e tirou-os da mão de mamãe, os vizinhos vieram, foi uma loucura. Não gosto de lembrar. Mas, de fato. Ela queria colocar fogo na casa com a pequena criança dentro.

Raiva, loucura, solidão, desprezo. Eu não sei o que se passava na mente dela, mas de fato deveria ser uma mente perturbada. Dias depois, a mesma irmã disse que a mãe se debruçou no berço e implorou desculpas. Existem coisas que você irão compreender com o passar do tempo. O drama que a menina tem hoje em dia é algo de família, e mãe dela não é louca, ou tem algum problema mental. Ela apenas fingi ter. E vou dizer pra vocês o por que... Mais para frente.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma vida inteira pela frente.

Bem, pra começar eu acho que me devo apresentar. Hoje, 13/05/09. A primeira postagens de muitas. Eu fiz o blog, para poder expor a mim. Aqui terá somente a minha vida, toda ela, os acontecimentos diários eu deixarei para o fotolog. Mas aqui, terá as dores, as razões, os medos, as dúvidas, os amores. Aqui será parte sentimental de tudo, ou como vocês quiserem interpretar o drama todo. Por fim. Fiquem a vontade, minha vida é como um livro aberto, a partir deste primeiro post. E para vocês entenderem tudo, leiam frequentemente. Se é, que você realmente se interessa por minha vida. Existem, em cada pessoa dois eu’s. E aqui quem irá falar é o segundo eu. Provavelmente você não nunca se encontrou com ele. Apenas ela, a menina de cabelo escuro, não tão escuro quanto o preto. Mas escuro quase lá. Seus olhos, seria uma verdadeira mentira (um tanto contraditório dizer isto, não acham?) eu dizer que os olhos dela eram claros só porque são verdes, eles são escuros, como aqueles lagos ou lagoas sujos por pessoas que insistem em lavar seus pés imundos. Isto, esta é a cor dos olhos dela. Bem, seja bem vindo as sua mente. E não se esqueçam, por favor, não se esqueçam. Tudo que será dito aqui, é tudo o que ELA pensa, e você, com toda a certeza do mundo, nunca descobriria isto se eu não postasse aqui. E porque não fazer algo “só dela?”... Bem, porque se fosse pra esconder palavras de alguém, ela deixaria no pensamento. Não acham? Ou, a partir do momento em que ela escreve, é como um provérbio chinês diz. Se você não quer que ninguém descubra, não o faça.. Simples, mas verdadeiro.

Ao primeiro post do dia. Um título, um pequeno trecho da pequena vida de Gabriela Duarte dos Santos. Ela gosta do nome dela, menos da parte do Santos. Só gosta dele, porque é do seu pai, e mesmo assim, quando casar irá tirá-lo. (A não ser que do seu marido seja algo pior, ai prefere ficar com ele mesmo.)

O Título: A pequena criança.

Em dezembro de 1990, nascia em uma cidade de São Paulo chamada: São Bernardo do campo, uma garota com as feições que foram descritas a cima. Havia uma mulher loira, de olhos azuis que a segurava no braço(Sua mãe)

Relatos de um pai: Eu estava no corredor neste momento, ela nasceu, o médico veio e ficou apreensivo, me assustou. Fiquei com medo de perder mais uma filha, então ele disse. “Bem... É... É... Mais uma menina”. Eu abri um sorriso e pulei no médico, falando “É UMA MENINA! É UMA MENINA!” e corri para o quarto.

Nota: O pai de Gabriela. Bem vou chamá-la de Gabi ou até mesmo, Gabizinha. Ela não gosta do seu nome, não assim sendo chamada toda a hora, me corrigindo. Ela ama o nome dela, mas acha “Gabriela” formal demais. Voltando ao assunto. O pai de Gabi, tivera 4 meninas, uma dela falaceu, mas eu entrarei neste detalhe logo mais. E vou explicar a vocês o porquê de estar contando o nascimento dela a vocês. Bem, a apreensão do médico era por isso. Ele ficar decepcionado, esperando “um menino”... Eu me pergunto o porquê o médico achou isto, ou ele é burro, ou meu pai mente. Afinal, ele já sabia do meu sexo.

Pamela: 1988. Sua mãe, se culpa e diz que foi erro dela. Seu pai, diz que foi erro médico (que culpa teria uma mãe, parindo uma filha? E depois de dois dias ela morre?)... A mãe se acha culpada porque a filha engoliu seu sangue. O pai é revoltado, porque já viu milhares de crianças sendo salvas, afinal isto é normal. (Hoje em dia, é fácil antes não era). Dois anos depois, nasce Gabi. Era “o prêmio de consolação.”

Bem, aqui nós não lembramos. Eu sinceramente queria poder lembrar esses momentos, para saber se tudo foi como relatado. Mas infelizmente, tenho apenas relatos.

Relatos de Fátima. (A tia, ou considerada por ela, como mãe): Você aos três meses está no seu berço, berrava. Cheguei com seu avô. Suas irmãs estavam na rua, elas tinham apenas 9 e 7 anos. Sua mãe, não as deixava chegar perto de você. Aproximei-me e você cheirava a mijo e coco, fiquei pasma. Seu avô me mandou tira-la de lá, e assim o fiz. Levamos você para a minha casa (na época eu morava com ele, o seu avô) e ai cuidamos de você. Assim, por muito tempo, até o dia dela reclamar você e quiser te levar de volta. (Foram seis meses depois). E de fato, só voltou porque seu avô dava dinheiro para ela cuidar da menina. Ela fazia tudo, menos cuidar de você.

Nota: Ela nunca gosta de se recordar coisas da mãe, de fato, isso a mata por dentro. A morte, vocês irão reparar, é algo que a acompanha muito, andam de mãos dadas, ela sempre a deseja e é por isso que a morte nunca vem.

Bem, quando voltou a sua casa, aos noves meses. Nada disto estava acabado. Nada de sossego ou bons tratos.

Amanhã, eu começo o novo capítulo. “A primeira tentativa de assassinato”.